domingo, 5 de fevereiro de 2017

Preconceito Racial

Há aqueles que negam o preconceito racial no Brasil e que naturalizam a violência e o sofrimento dos afrodescendentes. Há, também, aqueles que discordam da reserva de cotas para eles. No entanto, os dados do IPEA são uma realidade que precisamos enxergar:

A existência de discriminação contra negros no Brasil é hoje reconhecida como fato. Após extensa produção tanto qualitativa como quantitativa, é difícil negar os grandes diferenciais raciais observados em quase todos os campos da vida cotidiana. Negros nascem com peso inferior a brancos, têm maior probabilidade de morrer antes de completar um ano de idade, têm menor probalidade de frequentar uma creche e sofrem taxas de repetência mais alta na escola, o que os leva a abandonar os estudos com níveis educacionais inferiores aos dos brancos. Jovens negros morrem de forma violenta em maior número que jovens brancos e têm probabilidades menores de encontrar um emprego. Se encontram um emprego, recebem menos da metade do salário recebido pelos brancos, o que leva a que se aposentem mais tarde e com valores inferiores, quando o fazem. Ao longo de toda a vida sofrem com o pior atendimento no sistema de saúde e terminam por viver menos e em maior pobreza que brancos. E isso não decorre apenas da situação de pobreza em que a população negra está majoritariamente inserida. As desigualdades raciais no Brasil são influenciadas de maneira determinante pela prática passada e presente da discriminação racial.
(IPEA. Boletim de Políticas Sociais – Acompanhamento e Análise nº 13, Edição Especial 2007)