Há aqueles que negam o preconceito racial no Brasil
e que naturalizam a violência e o sofrimento dos afrodescendentes. Há, também,
aqueles que discordam da reserva de cotas para eles. No entanto, os dados do
IPEA são uma realidade que precisamos enxergar:
A existência de discriminação
contra negros no Brasil é hoje reconhecida como fato. Após extensa produção
tanto qualitativa como quantitativa, é difícil negar os grandes diferenciais
raciais observados em quase todos os campos da vida cotidiana. Negros nascem
com peso inferior a brancos, têm maior probabilidade de morrer antes de
completar um ano de idade, têm menor probalidade de frequentar uma creche e
sofrem taxas de repetência mais alta na escola, o que os leva a abandonar os
estudos com níveis educacionais inferiores aos dos brancos. Jovens negros
morrem de forma violenta em maior número que jovens brancos e têm probabilidades
menores de encontrar um emprego. Se encontram um emprego, recebem menos da
metade do salário recebido pelos brancos, o que leva a que se aposentem mais
tarde e com valores inferiores, quando o fazem. Ao longo de toda a vida sofrem
com o pior atendimento no sistema de saúde e terminam por viver menos e em
maior pobreza que brancos. E isso não decorre apenas da situação de pobreza em
que a população negra está majoritariamente inserida. As desigualdades raciais
no Brasil são influenciadas de maneira determinante pela prática passada e
presente da discriminação racial.
(IPEA. Boletim de Políticas
Sociais – Acompanhamento e Análise nº 13, Edição Especial 2007)