Desde que comecei a minha vida profissional, me sinto
espoliada pelo estado brasileiro. Na minha folha de pagamento sempre contribui
muito e recebi muito pouco, sempre trabalhei o máximo que pude e nunca tive
ajuda do governo. As coisas melhoraram consideravelmente, quando, em 2012, me
aposentei, mas continuei dando aulas de História e abri meu consultório em uma
sala do apartamento onde moro, porque obviamente, não tinha condições de alugar
um outro lugar para dar início a este novo desafio.
Hoje, o fato de eu abrir uma parte do meu lar aos meus
alunos têm um sentido maior, é algo bem simbólico, pois está ligado à
afetividade. Consigo promover a autonomia, o senso de competência, aprendizagem
e controle, neste espaço físico. E toda criança à medida que sua capacidade
cognitiva se amplia, amplia-se também a sua habilidade de regular internamente
o seu comportamento, elas se tornam mais cientes das suas emoções e reações.
Em suma, hoje, percebo que algumas pessoas reclamam de
uma crise que chegou até elas, somente em 2015, estas pessoas deveriam
sentir-se realmente privilegiadas.
Contudo, embora estejamos vivendo uma crise política (como tantas outras) e uma crise moral (nada nova) vamos concentrar nossas forças em melhorar as
condições de todos. Afinal, o futuro está batendo em nossa porta.

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