Há mais ou menos trinta anos, li Ana Terra e Um certo
capitão Rodrigo (da obra O Tempo e o Vento), de Érico Veríssimo. Estas
narrativas encantadoras me deixaram algumas impressões bem profundas, seja pelo
personagem do capitão Rodrigo, homem decidido e muito romântico, seja pelas
personagens Ana Terra e Bibiana, mulheres fortes, sensíveis e apaixonadas que
lutavam pela sua família e pelo seu amor. Mas, na época, lembro-me de ter
ficado um pouco decepcionada quando o capitão Rodrigo após ter tido filhos com
Bibiana já não a olhava com o mesmo desejo, devido às transformações que o
corpo dela havia passado depois das gestações. Talvez, se fosse hoje, Bibiana
teria voz e diria ao capitão Rodrigo que somos bem mais do que um corpo,
sabemos que ele é importante, mas somos mais do que um objeto. Somos femininas
antes de sermos feministas. Somos interessantes, porque sofremos e superamos as
perdas amorosas, as perdas dos entes queridos, as traições e a solidão. Temos o
que falar, o que ensinar e o que aprender. Sentimos, cuidamos, acumulamos
papéis e culpas, buscamos a cumplicidade e a valorização deste ser tão
intuitivo e, ao mesmo tempo, tão coerente, que somos nós, mulheres.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
domingo, 29 de novembro de 2015
Conhecimento
Interessante, hoje de manhã, eu li no face ofensas à Karl Marx e no mesmo texto, ódio aos
professores. Gostaria de lembrar a todos, que governos, representantes e toda a
sociedade devem estar comprometidos com a educação e com o conhecimento para
termos um país melhor. Freud, Piaget,
Hobsbawn, Rüsen, Bauman, Marx, Rousseau, Umberto Eco, Paulo Freire e tantos
outros, nos fazem enxergar além de nossos próprios umbigos com seus conceitos e
teorias. Marx, surgiu num momento
importantíssimo da História, na época em que era preciso que alguém falasse da
exploração que sofriam os trabalhadores num mundo pós-revolução industrial,
nada melhor do que um economista, sociólogo e jornalista como Marx, para
escrever críticas ao capitalismo. Somos
muito pequenos diante destes personagens, mas nos tornamos mais pequenos ainda
quando não enxergamos que cada teórico
escreve de acordo com o momento em que ele vive. Somos pequenos quando não
lutamos pela liberdade de ensino, pela valorização do professor e de outras
categorias, pela educação pública e privada de qualidade. Somos pequenos quando
ao invés de nos aprofundarmos no conhecimento, repetimos jargões e senso comum
difundidos nos meios de comunicação e redes sociais. Por favor, desliguem a TV,
saiam do face e do whatsapp e estudem, é possível conciliar trabalho e estudo
se você estiver bem alimentado e com o mínimo de dignidade para sobreviver.
Estudar é sofrido, exige esforço, quem está disposto a encará-lo? Aos 53 anos,
eu quero muito mais, além do amor pela minha família e pelo meu trabalho, o que
me move é a busca pelo conhecimento, estudarei até os últimos dias de minha
vida.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Ditadura
Nesses últimos dias tem circulado na internet um vídeo, de um suposto historiador, onde ele afirma que no Brasil não houve Ditadura Militar. O argumento dele para dizer tamanha besteira é porque numa ditadura não há uma sucessão de presidentes e aqui tivemos vários... Contudo, uma ditadura não se caracteriza pela existência ou não de vários governantes, mas sim pela supressão de direitos básicos. E isso, sem dúvida, ocorreu. Além disso, apesar de ter havido sucessão de presidentes, estes não eram escolhidos pelo povo, não eram eleitos democraticamente, ou seja, a ditadura se caracteriza também pela ausência de participação popular na tomada de decisões.
NEGAR que no Brasil houve ditadura, é o mesmo que negar o holocausto, o racismo e todas as outras formas de atrocidades é, enfim, negar a HUMANIDADE, pois cada vez que fechamos os olhos para torturas e assassinatos, fechamos os olhos para nossa história.
As JUSTIFICATIVAS para violar os direitos humanos são muitas, em todas as épocas, ora persegue-se as pessoas porque são comunistas, ora persegue-se porque são terroristas, homossexuais, judeus, bárbaros, protestantes, ciganos, negros, mulheres, islâmicos, pobres e também houve aquele que foi perseguido porque se dizia filho de Deus, e assim, infelizmente, caminha a humanidade...
Até quando??????
Que horas ela volta?
Ontem à noite fui assistir no Shopping Total "Que horas ela volta?", meus filhos já tinham me falado super bem deste filme. Fiquei encantada e alguns aspectos me chamaram muita atenção, não vou falar do óbvio, que é a condição servil da empregada doméstica e da condição quase desumana da patroa.
Mas, em primeiro lugar, quero falar da distância entre o que falamos e como agimos. No filme, apesar da patroa dizer que a a Val ( empregada doméstica ) é parte da família, ela age de forma insensível, estourada e de má índole com a mesma.
Em segundo lugar, quero ressaltar o fato da filha da empregada doméstica ter passado no vestibular e o filho da patroa não ter conseguido tal sucesso e, portanto, vai fazer um curso de inglês na Austrália, kkkk.
Como educadora, eu sei que os filhos da classe média e alta, já saem à frente nesta disputa e que somente o esforço pessoal pode não ser determinante para uma filha de empregada doméstica passar no vestibular. Porém, quero dizer aos meus alunos que estudar é sofrido, mas, que, conhecimento é poder, portanto, quando eu vejo um aluno apaixonado por livros e por estudar, este aluno já está à frente de qualquer outro, porque ele não vai se deixar levar pela regra e pelo senso comum.
Geralmente, quem estuda, (e isso não é uma regra, pois conheço pessoas sábias que só cursaram o Ensino Fundamental I) , não vai ficar imbuído de preconceitos, ideologias conservadoras e ignorância, vai enxergar a importância de combatermos velhos paradigmas e mudarmos para melhor.
É uma pena que, hoje em dia, mesmo com tantas mudanças, a mentalidade de alguns é ultrapassada e repetem jargões preconceituosos, até sem perceber...
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Frustração
Semana passada, li uma frase interessante, que "nenhuma pessoa é violenta, salvo se, profundamente, frustrada em seus objetivos". Pensei, imediatamente, na desigualdade e na frustração das pessoas que não tem o necessário para ter uma vida digna. Mas também, pensei nas pessoas de classe média e alta com melhores condições de vida, que podem ter um carro, uma casa e a ilusão de estarem conquistando seus objetivos e que, no entanto, são frustadas e violentas. O bem-estar tem uma relação com a capacidade que temos de mudar nossos paradigmas, de seguir em frente, de fazer aquela porção de coisas que alimenta o cérebro, o coração e o espírito. A resposta para driblar a frustração, talvez, seja estar sempre com quem amamos, procurar sempre progredir no conhecimento e na generosidade. Portanto, estudar sempre, fazer um curso novo, uma receita nova, plantar flores, apreciar a arte, ler um bom jornal e outras coisas que nos fazem relacionar fatos, confrontar pontos de vista e consultar diversas fontes, é isso que nos torna interessantes, isso que nos faz acordar com aquela garra de lutar pelos nossos ideais.

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