Há mais ou menos trinta anos, li Ana Terra e Um certo
capitão Rodrigo (da obra O Tempo e o Vento), de Érico Veríssimo. Estas
narrativas encantadoras me deixaram algumas impressões bem profundas, seja pelo
personagem do capitão Rodrigo, homem decidido e muito romântico, seja pelas
personagens Ana Terra e Bibiana, mulheres fortes, sensíveis e apaixonadas que
lutavam pela sua família e pelo seu amor. Mas, na época, lembro-me de ter
ficado um pouco decepcionada quando o capitão Rodrigo após ter tido filhos com
Bibiana já não a olhava com o mesmo desejo, devido às transformações que o
corpo dela havia passado depois das gestações. Talvez, se fosse hoje, Bibiana
teria voz e diria ao capitão Rodrigo que somos bem mais do que um corpo,
sabemos que ele é importante, mas somos mais do que um objeto. Somos femininas
antes de sermos feministas. Somos interessantes, porque sofremos e superamos as
perdas amorosas, as perdas dos entes queridos, as traições e a solidão. Temos o
que falar, o que ensinar e o que aprender. Sentimos, cuidamos, acumulamos
papéis e culpas, buscamos a cumplicidade e a valorização deste ser tão
intuitivo e, ao mesmo tempo, tão coerente, que somos nós, mulheres.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
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