quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Crise?

Desde que comecei a minha vida profissional, me sinto espoliada pelo estado brasileiro. Na minha folha de pagamento sempre contribui muito e recebi muito pouco, sempre trabalhei o máximo que pude e nunca tive ajuda do governo. As coisas melhoraram consideravelmente, quando, em 2012, me aposentei, mas continuei dando aulas de História e abri meu consultório em uma sala do apartamento onde moro, porque obviamente, não tinha condições de alugar um outro lugar para dar início a este novo desafio.
Hoje, o fato de eu abrir uma parte do meu lar aos meus alunos têm um sentido maior, é algo bem simbólico, pois está ligado à afetividade. Consigo promover a autonomia, o senso de competência, aprendizagem e controle, neste espaço físico. E toda criança à medida que sua capacidade cognitiva se amplia, amplia-se também a sua habilidade de regular internamente o seu comportamento, elas se tornam mais cientes das suas emoções e reações.
Em suma, hoje, percebo que algumas pessoas reclamam de uma crise que chegou até elas, somente em 2015, estas pessoas deveriam sentir-se realmente privilegiadas.

Contudo, embora estejamos vivendo uma crise política (como tantas outras) e uma crise moral (nada nova) vamos concentrar nossas forças em melhorar as condições de todos. Afinal, o futuro está batendo em nossa porta.

Bons seres humanos

Temos parâmetros para tudo na vida. Se quisermos saber se fomos bons pais, basta olhar nossos filhos, se fomos bons filhos, olhemos nossos pais, se fomos boas esposas olhemos nossos companheiros, se fomos bons profissionais olhemos os frutos do nosso trabalho. Obviamente, não dá para generalizar, como nada na vida. Mas, como saber, se somos bons seres humanos? Bem, somos seres muito complexos, vamos além de simples classificações: bons ou maus. Mas, o que a maturidade ensina é que algumas pessoas que encontramos em nosso caminho, infelizmente, vão nos ferir. Porém, se olharmos mais atentamente para estas pessoas notaremos que sofrem uma dor, um medo, uma frustração ou um trauma que não pára e que talvez o incômodo que causemos nelas não seja suportável. Somos todos saídos do "Vietnã", uns mais outros menos. A verdade é que estas pessoas representam uma parcela tão ínfima, que ao invés de sofrermos por isso podemos aprender. Sermos capazes de descrever, falar e ter maior consciência sobre nossas próprias emoções ajuda a entender que as pessoas precisam respeitar uma às outras, mas não necessariamente gostar!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Tempo e o Vento

Há mais ou menos trinta anos, li Ana Terra e Um certo capitão Rodrigo (da obra O Tempo e o Vento), de Érico Veríssimo. Estas narrativas encantadoras me deixaram algumas impressões bem profundas, seja pelo personagem do capitão Rodrigo, homem decidido e muito romântico, seja pelas personagens Ana Terra e Bibiana, mulheres fortes, sensíveis e apaixonadas que lutavam pela sua família e pelo seu amor. Mas, na época, lembro-me de ter ficado um pouco decepcionada quando o capitão Rodrigo após ter tido filhos com Bibiana já não a olhava com o mesmo desejo, devido às transformações que o corpo dela havia passado depois das gestações. Talvez, se fosse hoje, Bibiana teria voz e diria ao capitão Rodrigo que somos bem mais do que um corpo, sabemos que ele é importante, mas somos mais do que um objeto. Somos femininas antes de sermos feministas. Somos interessantes, porque sofremos e superamos as perdas amorosas, as perdas dos entes queridos, as traições e a solidão. Temos o que falar, o que ensinar e o que aprender. Sentimos, cuidamos, acumulamos papéis e culpas, buscamos a cumplicidade e a valorização deste ser tão intuitivo e, ao mesmo tempo, tão coerente, que somos nós, mulheres.

domingo, 29 de novembro de 2015

Conhecimento

Interessante, hoje de manhã,  eu li no face ofensas à Karl Marx e no mesmo texto, ódio aos professores. Gostaria de lembrar a todos, que governos, representantes e toda a sociedade devem estar comprometidos com a educação e com o conhecimento para termos um país melhor.  Freud, Piaget, Hobsbawn, Rüsen, Bauman, Marx, Rousseau, Umberto Eco, Paulo Freire e tantos outros, nos fazem enxergar além de nossos próprios umbigos com seus conceitos e teorias.  Marx, surgiu num momento importantíssimo da História, na época em que era preciso que alguém falasse da exploração que sofriam os trabalhadores num mundo pós-revolução industrial, nada melhor do que um economista, sociólogo e jornalista como Marx, para escrever críticas ao capitalismo.  Somos muito pequenos diante destes personagens, mas nos tornamos mais pequenos ainda quando não enxergamos que cada teórico escreve de acordo com o momento em que ele vive. Somos pequenos quando não lutamos pela liberdade de ensino, pela valorização do professor e de outras categorias, pela educação pública e privada de qualidade. Somos pequenos quando ao invés de nos aprofundarmos no conhecimento, repetimos jargões e senso comum difundidos nos meios de comunicação e redes sociais. Por favor, desliguem a TV, saiam do face e do whatsapp e estudem, é possível conciliar trabalho e estudo se você estiver bem alimentado e com o mínimo de dignidade para sobreviver. Estudar é sofrido, exige esforço, quem está disposto a encará-lo? Aos 53 anos, eu quero muito mais, além do amor pela minha família e pelo meu trabalho, o que me move é a busca pelo conhecimento, estudarei até os últimos dias de minha vida. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Ditadura



Nesses últimos dias tem circulado na internet um vídeo, de um suposto historiador, onde ele afirma que no Brasil não houve Ditadura Militar. O argumento dele para dizer tamanha besteira é porque numa ditadura não há uma sucessão de presidentes e aqui tivemos vários... Contudo, uma ditadura não se caracteriza pela existência ou não de vários governantes, mas sim pela supressão de direitos básicos. E isso, sem dúvida, ocorreu. Além disso, apesar de ter havido sucessão de presidentes, estes não eram escolhidos pelo povo, não eram eleitos democraticamente, ou seja, a ditadura se caracteriza também pela ausência de participação popular na tomada de decisões. 
NEGAR que no Brasil houve ditadura, é o mesmo que negar o holocausto, o racismo e todas as outras formas de atrocidades é, enfim, negar a HUMANIDADE, pois cada vez que fechamos os olhos para torturas e assassinatos, fechamos os olhos para nossa história. 
As JUSTIFICATIVAS para violar os direitos humanos são muitas, em todas as épocas, ora persegue-se as pessoas porque são comunistas, ora persegue-se porque são terroristas, homossexuais, judeus, bárbaros, protestantes, ciganos, negros, mulheres, islâmicos, pobres e também houve aquele que foi perseguido porque se dizia filho de Deus, e assim, infelizmente, caminha a humanidade...
Até quando??????

Que horas ela volta?



Ontem à noite fui assistir no Shopping Total "Que horas ela volta?", meus filhos já tinham me falado super bem deste filme. Fiquei encantada e alguns aspectos me chamaram muita atenção, não vou falar do óbvio, que é a condição servil da empregada doméstica e da condição quase desumana da patroa.
Mas, em primeiro lugar, quero falar da distância entre o que falamos e como agimos. No filme, apesar da patroa dizer que a a Val ( empregada doméstica ) é parte da família, ela age de forma insensível, estourada e de má índole com a mesma.
Em segundo lugar, quero ressaltar o fato da filha  da empregada doméstica ter passado no vestibular e o filho da patroa não ter conseguido tal sucesso e, portanto, vai fazer um curso de inglês na Austrália, kkkk.
Como educadora, eu sei que os filhos da classe média e alta, já saem à frente nesta disputa e que somente o esforço pessoal pode não ser determinante para uma filha de empregada doméstica passar no vestibular.  Porém, quero dizer aos meus alunos que estudar é sofrido, mas, que, conhecimento é poder, portanto,  quando eu vejo um aluno apaixonado por livros e por estudar, este aluno já está à frente de qualquer outro, porque ele não vai se deixar levar pela regra e pelo senso comum.
Geralmente,  quem estuda, (e isso não é uma regra, pois conheço pessoas sábias que só cursaram o Ensino Fundamental I) , não vai ficar imbuído de preconceitos, ideologias conservadoras e ignorância, vai enxergar a importância de combatermos velhos paradigmas e mudarmos para melhor.
É uma pena que, hoje em dia, mesmo com tantas mudanças,  a mentalidade de alguns é ultrapassada e repetem  jargões preconceituosos, até sem perceber...

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Frustração

Semana passada, li uma frase interessante, que "nenhuma pessoa é violenta, salvo se, profundamente, frustrada em seus objetivos".  Pensei, imediatamente, na desigualdade e  na frustração das pessoas que não tem o necessário para ter uma vida digna. Mas também, pensei nas pessoas de classe média e alta com melhores condições de vida, que podem ter um carro, uma casa e a ilusão de estarem conquistando seus objetivos e que, no entanto, são frustadas e violentas. O bem-estar tem uma relação com a capacidade que temos de mudar nossos paradigmas, de seguir em frente, de fazer aquela porção de coisas que alimenta o cérebro, o coração e o espírito. A resposta para driblar a frustração, talvez, seja estar sempre com quem amamos, procurar sempre progredir no conhecimento e na generosidade. Portanto, estudar sempre, fazer um curso novo, uma receita nova, plantar flores, apreciar a arte, ler um bom jornal e outras coisas que nos fazem relacionar fatos, confrontar pontos de vista e consultar diversas fontes, é isso que nos torna interessantes, isso que nos faz acordar com aquela garra de lutar pelos nossos ideais.


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O Poderoso Chefão

Ontem, acabei de rever a trilogia de "O Poderoso Chefão" e me chamou a atenção quando a personagem Kay (Diane Keaton) disse ao Michael Corleone (Al Pacino): " eu não o amo,  eu sinto medo de você."
Isto me remeteu aos inúmeros casos de violência e opressão contra nós mulheres, bem como a um tipo muito peculiar de homem, qual seja: o homem agressivo, controlador, possessivo, ciumento, que incita ao caos e a raiva, faz tempestade num copo d'água, se sente vítima e vive inventando desculpas para justificar suas ações.
Infelizmente, este tipo de homem ainda está presente no nosso âmbito familiar, no nosso círculo de amizades e nos mais diversos grupos sociais, razão pela qual, como bem explícita, Bertolt Brecht: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, nada deve perecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Alienação

Em 1980 eu cursava Comunicação Social na UEL, somente anos depois cursaria História nesta mesma instituição. Algumas coisas que aprendi na minha primeira graduação tenho levado adiante na minha vida, como por exemplo, olhar com criticidade todo ponto de vista unilateral. Sabemos que desde a revolução industrial tudo se tornou um bem de consumo, tudo é feito em série, até  mesmo as escolas tinham até bem pouco tempo séries e não anos. Não demorou muito para termos uma indústria cultural, repleta de coisas irrelevantes, é só ligar a televisão e ver o tipo de programação duvidosa e o tipo de cultura que ela impõe às pessoas. O que muita gente não percebe são os traços de alienação do rádio, da revista e da televisão, façam o que fizerem, digam o que disserem, os veículos da indústria cultural somente podem produzir, na maioria das vezes, alienação.

História

Venho percebendo que certas concepções falaciosas em relação à História ficaram tão arraigadas nas pessoas que, às vezes, me sinto impotente para lutar contra elas e me pergunto até que ponto, nós, professores de História, não ajudamos a reproduzir e justificar as formas mais explícitas de dominação e exploração social.
Fora das escolas são pouquíssimas pessoas que têm interesse em aprender História, as pessoas muitas vezes não têm acesso e nem condições de ler bons livros, assistir filmes e peças de teatro, ouvir músicas de qualidade, porque isto tudo tem um preço, a cultura custa cara. Ou simplesmente, não se interessam em estudar História ou outra coisa qualquer, já que é bem mais cômodo assimilar e olhar um fato e encaixar em seu próprio padrão, em sua própria interpretação, em sua própria história, enfim, em suas próprias "crenças". Então, para estas pessoas restam tv, jornais, rádios, revistas e vídeos e textos que circulam na internet com conteúdos e comentários bastante distorcidos e, às vezes, assombrosos, com rebaixamento do debate, ódio e rancor.

Acredito que juntos podemos estudar História, resgatar o que não foi aprendido e lutar contra qualquer poder que discrimina social, econômica, política e culturalmente as pessoas. Qualquer poder que nos faça sentir mais fracos física e intelectualmente e qualquer poder que legitima a submissão dos excluídos.

Educador

 O verdadeiro educador ajuda o aluno a construir seu próprio conhecimento e seus valores morais, estimulando-o a questionar, duvidar e perguntar sempre, desta forma, o aluno vai muito mais longe do que com respostas corretas e bom comportamento. Como diria Sara Pain, educar é ensinar a pensar.